8 de janeiro de 2007

Indecisões (incompleto)

Às vezes, o busílis da questão não é a falta de amigos, de oportunidades ou de afecto. Pelo contrário. Quando o excesso toma conta da tua vida, o problema torna-se tão sério quanto o isolamento... Eu devo ser um dos poucos seres humanos que procura a capacidade de ser insocial, na acepção kantiana. E, tão importante quanto essa busca, gostava de saber explicar aos meus semelhantes que ter a capacidade de consumar algo não implica a sua consumação; o prazer não é o acto solitário, mas o seu processo de constituição. E é, em parte, por isso que a procura do esquecimento interno, anularmo-nos por dentro, é uma resposta condicionada ao excesso de afecto e de opções.
Não sei se procurar a implosão dos laços afectivos que temos será a melhor solução. A mera consideração desta hipótese já é um assomo de solipsismo, mas, ainda assim, a mente resvala. Estas deambulações já deram um filme de Capra, mas não corro o risco de cair naquelas diatribes auto-comiserativas e operáticas; tenho a noção de que é um impulso egoísta e quase niilista. Mas é, também, algo de confortável...não ser vital, apenas agradável, uma presença que não muda nada. Será que não ter laços é ser livre? Será que isso é ser budista? Tenho sérias dúvidas de que um ser humano associal seja digno da sua humanidade.

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